Crise de credibilidade sempre abala a imagem
- Valerya Abreu
- 2 de abr. de 2018
- 2 min de leitura
Sobrou para nove jornais americanos e britânicos a missão de tentar reparar o grave problema de imagem que o Facebook, considerada a maior rede social do mundo, enfrenta na tentativa de reparar sua credibilidade e reputação, já ameaçadas por episódios anteriores também negativos. O anúncio veiculado semana passada em jornais impressos com um pedido de desculpas sobre a polêmica envolvendo o uso dos dados de 50 milhões de usuários pela consultoria de análise de dados Cambridge Analytica, é uma tentativa de reparo.
A empresa de análise de dados teve acesso a esse grande volume de dados a partir dos já famosos testes psicológicos que circulam na rede social, que de quebra coletam informações.
O anúncio é uma tentativa de reverter o quadro, num contexto em que a credibilidade de outros meios, no caso impressos tradicionais, serviu de plataforma confiável para um posicionamento que precisava repercutir rápido para minimizar prejuízos institucionais, tangíveis e intangíveis.
O escândalo produziu dúvidas quanto à transparência e à proteção de dados dos usuários dessa rede social. Para Ívila Bessa, editora executiva digital do Diário do Nordeste, "quando há demanda urgente de posicionar-se frente a uma gestão de crises, seja de qualquer natureza, o movimento natural e indispensável é buscar ancoragem em suportes que circulam o valor da credibilidade e que se pautam em distribuir informação, posição e opinião. Os suportes jornalísticos procurados por Mark Zuckerberg tentaram remediar o silêncio ensurdecedor, filtrar as informações, negar fake news, entre outros. Curiosamente e em contradição, é o que mais há na própria rede: filtros pré-estabelecidos e informações sem credibilidade alguma. É inevitável concluir agora que o Facebook prova reconhecer, mesmo sem admitir, as falhas grosseiras que a rede pode criminalmente gerar para a democracia e para reputação de pessoas e empresas", conclui a jornalista.
A rede social emitiu comunicado reforçando que investigaria o caso. O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, reconheceu que a empresa criada por ele cometeu erros."Eu comecei o Facebook, e no final do dia sou responsável pelo que acontece na nossa plataforma", declarou. Até agora o escândalo foi prejudicial não só para a imagem, mas também para os ativos da empresa na Bolsa de Valores, que cairam 9,15%, com a perda de valor de mercado de US$ 50 bilhões em apenas dois dias, restando a corrida para recuperar as perdas no mundo real, em off.
Jornalista Valerya Abreu

Publicado no Jornal Diário do Nordeste
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